” Depois de 20 anos de serviços fiéis, Tomy é prestigiado com muitos votos de sucesso”
Com esta frase gravada no fundo de sua Leica, meu avó passou esta câmera para meu tio.
Pare e pense qual foi o último equipamento (independente da sua profissão) que lhe prestou “fiéis serviços” e por tanto tempo. Tudo bem, os tempos são outros, pense então em algo que você teve por dez anos então…
Pois ai esta o valor de uma Leica. Como mencionei acima, esta câmera da foto ao lado é uma LEICA III e foi presente do meu avô Peter Scheier para meu tio Thomas. Segundo minha pesquisa o modelo é de 1939, sendo assim a partir de 59 ela ainda teve a chance de registrar os pontos de vista de meu tio até terminar comigo em meados de 2000. Eu nunca a usei mas guardo com carinho juntamente com outros artigos que pertenceram a meu avô como latas de filmes, tesoura de corte, pinça de laboratório e até um lápis que, acredito eu, era uma espécie de brinde que ele oferecia, fazem parte de uma espécie de museu privado.
Eu nunca escondi minha preferência por câmeras Canon. As lentes oferecidas e o custo benefício dos corpos sempre fizeram desta uma marca perfeita para se trabalhar, mas a opção de fotografar com Leicas extrapola o racional dos números, tamanhos ou qualidade, e no meu caso ainda a carga histórica desta marca, sendo assim, namorei por muito tempo estas máquinas até decidir ter uma.
Após longa pesquisa decidi primeiro que não compraria uma de filme apesar da maravilhosa M7 e seus modelos colacionáveis, eu assumo de uma vez que sou um fotgráfo da era digital. Mesmo tendo estudado P/B e cor na faculdade, aprendido a revelar, ampliar e ainda somado alguns anos trabalhando com outros fotógrafos e seus negativos eu não posso ir contra a realidade: a fotografia hoje (nos seu sentido mais amplo) é digital.
Dito isso, escolhi uma M8 e uma lente 35mm Summarit (na M8 uma 35mm se comporta como uma 50mm pois a máquina tem um sensor half frame)* e tendo usado a câmera por um único final de semana já sei que busco agora uma M9, a versão com sensor full frame.
Na pesquisa que fiz aprendi muito sobre a história desta marca, coincidentemente (ou não) neste período eu estava lendo a biografia de Henri Cartier Bresson e as histórias destes dois ícones ,o homem e a câmera, são fundidas nas imagens deste artista. Para quem não conhece este link mostra o que digo.
Não vou entrar nas especificações técnicas de por que a Leica se difere tanto das outras câmeras, mas o estilo único das Leicas pede calma, discrição, atenção e acima de tudo que o fotografo PENSE no ato de fotografar ! Todos estes elementos são bem vindos na era digital onde a ausência de filme (e dos custos que isto representa) nos fazem disparar sem realmente pensar e mais grave sem sentir ou se emocionar. Esta pequena maravilha da fotografia (Das kleine photo wunder) me fez sentir algo novo pela fotografia, me deixou ansioso para uma nova viagem e inquieto por andanças, tudo isso com o charme Leica de ser.
Logo abaixo uma pequena amostra da minha primeira aventura com uma Leica, o tema é recorrente e é possível comparar com outras fotos feitas com Canon que já foram postadas aqui.
até o próximo
Lucas































































